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domingo, 25 de novembro de 2012



21 de setembro 

O U T O N O

O outono chegou espantando das ondas os meninos do surf, desfolhou as árvores, despetalou as flores e desfez nós dois! Caminhando na praia deserta, senti-me assaltado por um inútil romantismo, que só tem razão de ser pela companhia que me faz! Da areia espio o calçadão, de onde vinhas no teu jeito inconfundível de andar preenchendo de alegria e de conforto esse Itararé , que hoje ofer
ece um lote de solidão inteirinho para quem quiser. No calçadão,onde antes desfilavam seres,as vezes estranhos seres, se expondo num sumário fio dental, hoje abundam as flores moribundas, a se esconderem entre a gramínea das beiradas. Me pego pensando que deveria ter tirado uma xérox autenticada de ti , para sempre te carregar comigo! Paro em uma das mesinhas onde os aposentados costumavam jogar damas nas tardes de sol, e meus carinhos, agora aposentados compulsoriamente dos teus, tomam forma nesses escritos na vã tentativa de amenizar a tua ausência. Algumas poucas e tristes gaivotas, catavam detritos trazidos pelo mar, e eu mais triste que elas, buscava migalhas dispersas, de lembranças de quando estávamos juntos.Um gavião espantou as gaivotas, assim como o outono recém chegado, como um predador, assustou as minhas ilusões de verão! E lá ia eu, na cegueira dos solitários, sem a guia de tuas mãos amigas, olhando a paisagem na tentativa de esquecer de ti, como se fora possível esquecer a vida! No gonzaguinha , o indômito oceano extravasa a sua ira contra os paredões da calçada, descontente com as palavras do poeta, ou quem sabe,zangado com a perda de suas sereias,entrega-se a ressaca, e ai me veio à lembrança de teus olhos,deslumbrados diante o fenômeno! Ah, outono! Estação, de onde partiu, talvez para sempre, o trem da minha esperança!

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