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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

PÈ DE VENTO

Mãozinhas segurando a barra do vestido, num gesto feminino de proteção, coibindo o vento de expor ao léu seus tesouros, lá vai a deusa fingindo não notar a indiscrição de vorazes lobos bípedes, a cobiçar-lhe as formas...Eu, tímido no meu canto, introduzi meu olhar entre a roupa e a sua pele morna, e passei a acompanhá-la, não pelas rua onde ela flutuava, mas no mundo que criei só 
para ela! Ancião que não amadureceu ainda, desafio alógica de “Cronos”, e torno-me adolescente a escrever poemas diante dessa mulher , que passa sem sequer notar que ali há um homem que o tempo não abateu a libido, e fica a emoldurá-la em desejos, nos mais belos, e ousados sonhos...
Odair flores

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